terça-feira, 25 de outubro de 2016

Africano é preso no RIO por aplicar golpe de mais de R$ 650 mil em idosa

Golpista é preso em um hotel do Rio - Reprodução / TV Globo
By: Rafael Nascimento

RIO — O golpe aplicado parece até história de ficção. A promessa de uma bela história de amor se transformou em pesadelo para uma idosa de 67 anos que mora num bairro da Zona Norte do Rio. Ela foi vítima de um estelionatário e acabou tendo um prejuízo de cerca de R$ 600 mil, em remessas solicitadas por seu companheiro em potencial, após meses de contato pela internet. O autor do estelionato, um africano que não teve a identidade nem a nacionalidade revelada pela polícia, acabou preso nesta segunda-feira na Tijuca, após a vítima — ao notar que algo estranho ocorria naquela relação — denunciar o caso na 18ª DP (Praça da Bandeira), na última semana. Os agentes, então, orientaram a mulher a marcar um encontro, onde mais dinheiro seria dado, e capturaram o criminoso em flagrante.

De acordo com a Polícia Civil, o autor do golpe, de 38 anos, e a vítima se conheceram pela internet. Ele se apresentou com uma falsa identidade na ocasião: a mulher acreditava estar em contato com um oficial da marinha americana, que realizava um trabalho no Afeganistão. Após meses conversas, veio o primeiro prejuízo: o suposto militar revelou que possuía uma mala com um milhão e seiscentos mil dólares em cédulas em Gana, país situado no ocidente da África, mas que, devido a entraves, ele a colocaria em contato com um amigo de confiança para que o dinheiro fosse retirado de lá. O estelionatário iludiu a vítima pedindo para que ela intermediasse a transferência da bagagem para o Brasil através de uma firma. A idosa foi iludida pelo estelionatário de que todos os depósitos seriam ressarcidos quando a bagagem contendo os supostos dólares chegasse ao Brasil.

Ela, então, desembolsou R$ 50 mil para que a transação fosse realizada. Depois de pouco tempo, conforme informou a polícia, o golpista relatou que havia ocorrido um novo entrave, e que mais dinheiro seria necessário. A vítima desembolsou mais R$50 mil reais para a segunda tentativa. Desta vez, no entanto, ela se encontrou com o falso emissário do oficial no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, papel também interpretado pelo africano, já que a mulher acreditava estar se relacionando pelas redes com o militar, que tinha outra aparência.

Sem saber que já estava acompanhada do homem com quem acreditava ter um relacionamento, ela se encontrou com o estelionatário, acreditando se tratar do amigo do militar e ambos vieram ao Rio, na ocasião. Posteriormente, ele abriu a mala, que continha um cofre, onde estaria a quantia de 1,6 milhão de dólares. O cofre permanecia trancado e as cédulas que estavam dentro do objeto eram falsas, de papelão, na cor preta.

Cofre, cédulas falsas e material apreendido com o estelionatário
Foto: Angelo Antonio Duarte / Agência O Globo
Para tornar o enredo mais crível, o estelionatário tinha quatro notas originais de cem dólares, desviou a atenção da vítima e limpou a cédula com um líquido específico que ele alegara ser necessário para transformar a cédula disfarçada em original. Como estas quatro notas eram verdadeiras, e a vítima, depois, trocou o valor em uma casa de câmbio, ela acreditou que ocorreria o mesmo com todas as outras.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, no período entre a chegada do estelionatário ao aeroporto até a vítima desconfiar sobre a pessoa com quem estava lidando, ela foi lesada em diversos momentos. Em uma dessas vezes foi dito que esse suposto líquido específico para a limpeza das cédulas teria perdido a eficácia. Só nesta ocasião, ela desembolsou, a pedido do estelionatário, R$ 180 mil reais para que um novo recipiente viesse dos Estados Unidos. O produto chegara ao país com problemas, afirmou o criminoso para ela, na ocasião. E seria necessário mais R$ 180 mil reais para que outra garrafa com o material fosse enviada.

De acordo com a Polícia Civil, a partir deste momento, levando em consideração todo o dinheiro que havia sido desembolsado, a vítima procurou a delegacia, na última semana, já bastante desconfiada. Os agentes, então, orientaram a mulher a marcar um novo encontro com o suspeito (que para ela ainda se tratava do amigo do militar americano), sob o pretexto de entregar mais uma remessa de dinheiro para, novamente, adquirir o líquido para limpar notas.

Até então, a mala com o cofre ficou na casa da mulher — ela, no entanto, não tinha posse das chaves, fato que não a permitiu abrir o objeto e constatar o que havia no interior.

Com a orientação da polícia, ela pediu ao acusado que levasse a mala para o hotel, onde ele ficaria hospedado desta vez, e acrescentou que chegaria depois com o dinheiro. A polícia foi para o local e capturou-o em flagrante, em posse da mala com o cofre, na saída do estabelecimento.

O africano foi autuado pelo crime de estelionato, cuja pena varia de um a cinco anos de prisão. A Polícia Civil não revelou o nome nem o bairro onde a vítima reside.

Reportagem original em: http://oglobo.globo.com/rio

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