sexta-feira, 8 de julho de 2016

Golpe por WhatsApp dispara alerta real e homem perde R$ 2 mil após confiar em pedido de suposto amigo


By Marcele Tonelli

Um dos aplicativos mais baixados no País, o WhatsApp caiu no gosto popular por possibilitar a comunicação via celular por meio de mensagens gratuitas. Na contramão, a ferramenta também tem chamado a atenção de hackers e estelionatários, o que exige cada vez mais cuidado e atenção aos usuários.

Em Bauru, na última quinta-feira (30), um analista de sistema de 42 anos denunciou à Polícia Civil ter perdido R$ 2 mil, após atender a um pedido de depósito de um suposto amigo feito pelo aplicativo. O caso foi registrado como estelionato e um inquérito foi instaurado na Central de Polícia Judiciária (CPJ).

Algumas dicas podem ajudar a evitar cair em golpes virtuais como esse (veja no quadro no final).

A ‘trama’
Na conversa pelo WhatsApp no celular, o suposto hacker, se utilizando do perfil com foto e número telefônico de um amigo de trabalho da vítima, de 32 anos, solicita, durante uma conversa, o depósito da quantia em uma conta. O analista, que aguardava uma consulta médica fora da empresa, acabou atendendo ao pedido.
“Ele disse que o computador do escritório estava com vírus e que precisava urgente efetuar uma transferência. Coincidentemente, era data de pagamento e o sotaque era o mesmo do meu amigo”, comenta a vítima, que acabou transferindo a quantia via celular mesmo.

No final do processo bancário, ele notou que o valor havia sido creditado para a conta de uma mulher no Maranhão. Na sequência, o interlocutor teria solicitado mais valores, o que fez com que a vítima desconfiasse ainda mais. Ao retornar ao trabalho, em contato com outros colegas de trabalho, a vítima foi  informada sobre o suposto golpe e que outras pessoas da empresa também teriam recebido a mensagem, naquele dia, com a solicitação de dinheiro.

Em contato físico com o colega, ele confirmou a suspeita de um possível golpe, já que o amigo negou ter solicitado qualquer quantia. Após a constatação, ambos foram até a delegacia com a cópia das mensagens e o comprovante de transferência.

Inquérito
Na CPJ, o rapaz de 32 anos declarou não ter enviado qualquer mensagem ao colega solicitando dinheiro, mas confirmou que a linha telefônica registrada nas mensagens à vítima era sua.

Coordenador da CPJ, o delegado Adib Jorge Filho, informou que os dois serão ouvidos e que, durante o inquérito, será solicitada a quebra de sigilo das linhas telefônicas envolvidas, assim como da conta bancária na qual a quantia foi depositada.

O inquérito deve ser presidido pelo delegado Fábio Mariotto. Ao JC, a vítima disse acreditar que o chip do celular do seu amigo tenha sido clonado.

Basta um clique para instalar ‘Trojan’, avisa especialista
Especialista em crimes virtuais, o advogado José Antônio Milagre alerta que os chamados “Trojans”, softwares maliciosos, se inoculam com facilidade no aparelho, seja celular ou tablet, para conseguir dados e senhas.

“Basta um clique em links ou conteúdos duvidosos e desconhecidos. Ele se instala de forma oculta e possibilita o envio de mensagens e arquivos para os seus contatos, seja pelo Whats(App) ou Facebook, que também é comum”, comenta Milagre. “Temos vários casos assim registrados na Capital, onde o WhatsApp foi usado para envio de pornografias, assédio ou para lesar pessoas”, completa.

A descoberta
Geralmente, o dono do celular infectado fica sabendo do problema ao ser avisado por terceiros, que duvidam dos conteúdos recebidos.

“Mas as mensagens enviadas automaticamente pelo malware ficam todas na conta da pessoa. Então é possível descobrir com facilidade se o seu aparelho está enviando, basta estar atento e não agir com negligência”, frisa Milagre.

Ela aponta que, especificamente no caso do WhatsApp é solicitado um código durante a instalação, o que ajuda a evitar fraudes. “Na hora da migração de aparelho, ocorre o bloqueio de qualquer outra conta no mesmo número”, cita.

Responsabilidade
A quebra de sigilo do equipamento é uma das principais medidas a serem tomadas e que ajudam na localização geográfica do equipamento ponto de partida do conteúdo fraudado.

Desde 2014, a lei 12.737, inspirada no caso da atriz Carolina Dieckmann, pune os responsáveis por invasão de dispositivo informático alheio com fins de prejudicar ou obter vantagens. Dependendo do caso, a pessoa também responde pou estelionato e por outras tipificações penais.

Atento às dicas
Para quem ainda não foi vítima, é importante suspeitar de mensagens que afirmam que o usuário foi sorteado para ganhar algum prêmio, como carros e dinheiro. As iscas também incluem descontos em lojas e até versão especial do próprio aplicativo.

Foi infectado? Saiba como agir
Nada de pânico! A primeira atitude a ser tomada após a invasão ser descoberta é alertar todos os seus contatos que sua conta foi invadida e pedir para que desconsiderem tudo o que for enviado.

O segundo passo é cancelar serviços que possivelmente possam ter sido ativados em suas contas com uso de dados presentes no celular. Por último, o usuário deve formatar seu equipamento com ajustes de fábrica e atualizar sua proteção, com antimalware ou antivírus.

“Mas a lei não garante uma investigação de fato. E as pessoas que têm o aparelho invadido precisam provar que também foram vítimas de fraude. Mesmo assim, elas ainda podem ser responsabilizadas pelo que foi causado a terceiros”, ressalta Milagre.


Reportagem original em: http://www.jcnet.com.br

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