terça-feira, 14 de julho de 2015

Conheça os "golpes da Nigéria" e saiba se proteger

By Ana Cláudia Barros, do R7

Com estratégia dos pequenos passos, criminosos têm sucesso nas fraudes há mais de 30 anos


"Pequenos passos"
Segundo Parodi, na maioria das abordagens, os estelionatários usam a lógica dos pequenos passos. Em vez de pedirem uma grande quantia, optam por um valor modesto, crível. A tática, diz, é usada em qualquer golpe africano, incluindo o do namoro.
— Se eu digo: “Sou um galã maravilhoso, me apaixonei por você. Mande US$ 20 mil que tenho que comprar uma passagem”, a vítima vai me xingar. Já se eu conto a mesma história, mas falo: “Estou com um problema, porque não consegui liberar meu passaporte e preciso pagar uma taxa de US$ 847. Eu tenho dinheiro, mas está bloqueado” por qualquer motivo. Se a pessoa estiver empolgada, vai acreditar.
Segundo o especialista, a vítima se sente mais envolvida após ajudar o golpista financeiramente.
— O que passa pela cabeça da vítima no momento em que mandou US$ 847? Que ela se envolveu não só emocionalmente, mas também financeiramente. Ela fez um investimento.
Hierarquia
Parodi explica que as fraudes de antecipação de recursos são aplicadas por quadrilhas organizadas.
— Os golpistas são muito bons [em convencer] até por uma questão de prática. O trabalho deles é baseado em números. Eles fazem contatos através de internet. Antigamente, era carta. Mandar 1 milhão de e-mails mundo afora não custa praticamente nada. Se eles tiverem 0,1% de retorno de 1 milhão, estão feitos.
De acordo com a funcionária pública Meggie*, 52 anos, que tem um blog especializado nesse tipo de fraude, há uma hierarquia bem definida entre os scammers (golpistas virtuais).
— Os que ficam diante do computador são os peons (peões). Normalmente têm entre 13 e 17 anos. Seguem um script, como se fosse telemarketing. São eles que escolhem as vítimas, que nem sempre conversam com o mesmo scammer. Eles se revezam em plantões de 24h. Depois, vêm os managers (gerentes). São maiores e orientam os garotos o tempo todo. Levam uma porcentagem do lucro. Na sequência, tem o boss, que é o chefe de equipe. O maioral é o pimp daddy. Esse, com certeza, já está milionário.
Dólares negros
Lorenzo Parodi explica que há quadrilhas estrangeiras atuando de dentro do Brasil.
— Uma das fraudes mais praticadas por nigerianos pegos no País é a dos dólares negros. Esses golpes são de valor muito elevado e requerem um contato pessoal. Eles contam que fugiram de algum lugar ou que eram assistentes de um ditador e, para esconder e transportar o dinheiro, pintaram as cédulas de preto com a finalidade de entrar no Brasil. Depois, dão uma desculpa qualquer e dizem que perderam o solvente para remover a tinta.
Golpe dos dólares negros - Reprodução/Rede Record
Para imprimir veracidade à história, eles fazem uma demonstração. Dizem que ainda possuem uma pequena quantidade do solvente e limpam algumas cédulas reais diante da vítima. O objetivo é convencê-la a comprar o produto, que seria vendido apenas no exterior e que teria valor elevado. Como recompensa, é prometido a ela uma porcentagem generosa do dinheiro.
— Só que a maioria das notas não passa de papel preto. Se a pessoa denunciar, o delegado vai rolar de rir.
A funcionária pública Crystal*, 54 anos, que ajuda a desmascarar scammers na internet, revela que a história dos “dólares negros” também tem sido usada no golpe do namoro.
— Geralmente, o golpista se apresenta como militar e, na missão de paz dele, encontra uma mala de dólares, por exemplo, de terroristas. Diz que está vindo para casar com a vítima no Brasil e pede para que ela cuide do dinheiro até ele chegar. Diz que ela pode usar uma parte da quantia para comprar casa, pagar os preparativos do casamento. Ele vai despachar os dólares e ela vai pagar taxas, porque a mala vai ser presa em várias alfândegas. Tem taxa para liberar, taxa para subornar. Ele vai envolvendo a vítima numa questão de ilegalidade. Depois, tenta fazer com que ela dê dinheiro para comprar o químico e limpar as notas manchadas.  
*Nomes fictícios para proteger as identidades das funcionárias públicas



LEIA REPORTAGEM ORIGINAL EM: http://noticias.r7.com

Caçadoras de golpistas criam “exército” para vingar vítimas de namoro virtual

By Ana Cláudia Barros, do R7

Em ações conjuntas, grupo inverte a lógica do jogo e faz os criminosos perderem dinheiro

Crystal conta que tem mais de 1.300 pedidos de ajuda em seu e-mailArquivo pessoal
Era final de 2010 quando a funcionária pública Crystal*, que vive no Estado de Mato Grosso, recebeu um recado que a intrigou. Depois de 26 anos de casamento, ela havia se divorciado em janeiro daquele ano e, como muitos solteiros, passava horas diante do computador, navegando na internet. Crystal havia feito um perfil em um site de relacionamento e esperava conhecer novas pessoas, reconstruir a vida. Certo dia, foi abordada por uma desconhecida, que a alertou: havia um scammer (golpista virtual) em sua lista de amigos.
— Eu nunca tinha ouvido essa palavra. Perguntei o que isso significava. Ela me explicou que era a máfia nigeriana de golpistas virtuais.
Aquela desconhecida era a também funcionária pública Meggie*, moradora de uma cidade no interior de São Paulo. Ela havia ficado viúva em 2007 e quase fora vítima de um scammer. Ao longo do relacionamento virtual, desconfiou quando o homem, que dizia ser engenheiro e dono de uma pequena firma de importação e exportação de petróleo, pediu R$ 15 mil (US$ 5.000) emprestados para resolver uma pendência. Na época, Meggie não sabia, mas estava diante de um scam romance ou golpe do namoro. Em linhas gerais, o objetivo é envolver a vítima emocionalmente e arrancar o máximo de dinheiro dela.
— Nessa altura, ele já tinha me enviado a imagem do comprovante da passagem aérea, mostrando que viria mesmo para o Brasil. Fui checar e era falsa. Continuamos a conversar e vi que o perfil dele em uma rede social havia sido “decorado” com a frase “scammer — be careful” (golpista — cuidado). Entrei em contato com a garota da Malásia que havia colocado os tais avisos, e ela me levou para um grupo que caçava scammers. Fui a primeira brasileira a ser aceita. Aprendi muito por lá.
Com os conhecimentos que adquiriu, Meggie começou a visitar redes sociais com a finalidade de avisar os usuários sobre o risco oferecido pelos estelionatários. A convicção de que deveria mergulhar nesse trabalho veio após conhecer uma vítima.
— Encontrei uma senhora que havia enviado todo o décimo terceiro salário para um golpista. Nesse caso, cheguei tarde. Ela chorava muito e dizia que, pela primeira vez, os netos iriam ficar sem presentes de Natal. Aquilo mexeu demais comigo. Jurei para ela que iria ajudar mulheres e homens do meu País. Logo na sequência, ela teve um AVC (acidente vascular cerebral) e faleceu.
Muitas pessoas se contentavam com as informações passadas pela funcionária pública do interior de São Paulo, mas, para Crystal, isso não era o bastante. Ela decidiu que também deveria ajudar a combater a ação dos fraudadores. Percebeu que eles estavam invadindo o Facebook e resolveu montar uma página por lá. Assim como Meggie, também colocou no ar um blog sobre o tema.
—Fiquei um ano postando que nem doida, falando sozinha. Depois desse tempo, começaram a aparecer as primeiras vítimas.
Crystal e Meggie, que nunca se conheceram pessoalmente, formaram uma parceria e, a partir da disseminação de dados sobre os fraudadores, foram conquistando a adesão de pessoas que caíram no golpe ou que conseguiram escapar a tempo. 
“Exército”
Em um grupo secreto no Facebook, as “caçadoras”, como se autointitulam, traçam estratégias sobre como neutralizar a ação dos scammers. O trabalho não é focado apenas em alertar potenciais vítimas, mas também em transformar os golpistas em caça, invertendo a lógica do jogo.
Para atingir o alvo, elas criam os chamados “bait (isca) perfis”, perfis falsos, montados com minúcia para parecerem reais. A missão é ocupar, o máximo possível, o tempo dos estelionatários, além de recolher informações.
Crystal explica a importância desse tipo de ação.
— Se eles [fraudadores] perderam tempo, perderam dinheiro. Saber que dei prejuízo para eles, que tirei o pão da boca deles, é bom demais.
Entre os caçadores, os scammers são chamados de “mugus”, segundo explica a funcionária pública de Mato Grosso.
— O sentimento é de caçar mesmo, assim como eles fazem com elas. Chamamos de “mugu”. É uma palavra do idioma Iorubá que usam para falar entre eles de uma vítima. Quer dizer pessoa tola, otária, idiota. Então, os chamamos de “mugu”, porque é o que são para nós. Nosso objetivo é brincar com eles. O negócio é fazer com que percam tempo com você. Enquanto isso acontece, ele não está abordando uma mulher que não conhece [o golpe].
Durante mais de uma semana, o R7 acompanhou as atividades do grupo. Até esta quinta-feira (18), havia 139 integrantes, mas o “exército” conta com a participação de cerca de 300 pessoas, conforme Crystal. Dessas, apenas uma parcela atua na linha de frente.
As integrantes compartilham entre si fotos, endereços de e-mails, telefones, números de contas bancárias usadas pelos estelionatários e chegam até mesmo a derrubar perfis de fraudadores por meio de denúncias. Tudo é divulgado nos blogs mantidos pelas duas funcionárias públicas, formando uma espécie de banco de dados, que pode ser consultado por qualquer pessoa. Em geral, os textos dos e-mails enviados pelos golpistas seguem um padrão e se diferenciam por detalhes. 
A publicação nos blogs tem ainda uma função estratégica, conforme explica Meggie.
— Desta forma, expomos aos robôs do Google. Se alguma vítima mais esperta for checar o endereço de e-mail, por exemplo, verá que ele já foi denunciado como sendo de um golpista, o que evita que ela caia no golpe.
*As personagens usam codinome para manter suas identidades preservadas
Reportagem originalmente publicada em: http://noticias.r7.com

sábado, 4 de julho de 2015

Felipe Salvatore Esposito: Scammer se passa por empresário do "pré-sal"

Foto usada pelo golpista

Abaixo segue relatos de vítimas do golpista:

DENÚNCIA RECEBIDA POR EMAIL EM 13.06.2015

Fui vítima de um crime virtual, e embora, não possa recuperar o dinheiro, me sinto na obrigação de denunciar e quem sabe evitar que outras mulheres passem pela  mesma  situação.
Não sei exatamente como fazer isso, mas abaixo estou passando os dados que possuo .
Felipe Salvatore Esposito - Encontrei seu perfil no Par Perfeito Yahoo, após dois dias que estávamos conversando, disse ter retirado seu perfil porque havia encontrado a mulher de sua vida. 
Dizia estar em São Paulo para fechar contrato com empresas ligadas ao pré sal. Após contar feliz e contente que havia fechado o contrato disse ter que viajar para a Itália com urgência para comprar peças e máquinas que iria utilizar e não encontrava em São Paulo.
Da Itália  mandou foto com a filha e o e-mail dela para eu me comunicar com ela,em seguida disse que teria que ir para Londres e de lá viria para São Paulo, enviou pesquisa de voo, que pensei ser passagem e reserva no hotel Tryp Tatuapé em São Paulo.
Chegaria no sábado dia 06 de junho, porém, na sexta ligou pedindo que eu fizesse uma transferência para pagar os impostos de peças que chegariam no Hotel antes do retorno dele, enfim fiz, a transferência e logo percebi que havia caído num golpe. Procurei a Delegacia de Policia na segunda feira que não fez o BO, fui ao banco o qual sou correntista, e nada foi feito , procurei o banco para o qual fiz a transferência, mas me informaram que não poderiam fazer nada, enfim, não pretendo que este caso passe em branco e esta pessoa continue a aplicar seus golpes e vitimizar outras mulheres.
Email: engenheirodutos _ @hotmail.com
celular: 977441481 e 951737115; 
O DOC e depois o TED foram  feitos na conta de:
JOSÉ CÍCERO DE ARAUJO - AG. 1880
CONTA: 13168-7 - CPF 276950418-58
BRADESCO


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DENÚNCIA RECEBIDA POR EMAIL EM 16.07.2015


Existe um homem que entra nos sites de relacionamento como por exemplo Baddo. Ele se passa como um engenheiro emai lengenheirodutos_@hotmail.com
o nome dele é Felipe Salvatore Esposito...fui vitima de um crime virtual. Ele dizia estar em são paulo,exatamente em santos para fechar um projeto...depois de alguns dias disse que iria viajar para italia para comprar maquinas que estavam faltando.
Ele mandou fotos da reserva que vez no hotel imperial em suzano e fotos da passagem de avião do dia do seu retorno, porém via whatspp me pediu para que fizesse transferencia de valores para pagar taxas. O dinheiro serviria para que as maquinas chegassem ao Brasil.
O mesmo sempre conversava...chegou a passar um email da filha para que nós nos conhecer melhor e a suposta filha respondeu ao email.
Apos ver uma denuncia em site "alerta na rede" me deparei com a foto do mesmo e a mesma historia narrada.
Este homem é um golpista e esta provavelmente morando em santos ou são vicente.
segue em anexo o banco, agencia e conta para qual fiz deposito de valores;
Banco Itau
agencia: 0465
conta corrente: 83265-7
em nome de Fabio Cruz Conceição

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